ESPUMANTES

05.11.2017

Título

QUANDO OS ESPUMANTES TIRARAM A TRANQUILIDADE DO VINHO.


Quando pensamos na relação da humanidade com os vinhos, isso se dá a vários milênios, mas quando falamos dos espumantes essa relação ainda é muito nova, de apenas alguns séculos. 

Certo dia, um monge foi chamado na região de Champagne para investigar os estranhos acontecimentos que estavam intrigando os produtores locais. Suas garrafas de vinho estavam estourando dentro das caves e lhes causando grandes prejuízos. Seja pelo cunho religioso ou pelo fato de que os monges eram os que mais detinham conhecimento na época, sua figura poderia ser a solução para o problema que havia se instalado entre os viticultores da região. 

No dia que este monge conhecido como Dom Pérignon provou das garrafas agitadas, disse a célebre frase que marcou da história do vinho: “Estou bebendo estrelas”, assim nascia a gaseificação nas bebidas. A partir deste dia os espumantes tiraram a tranquilidade dos vinhos. 

Exatamente, pois os vinhos até então ou eram tintos, brancos, rosés, fortificados ou de sobremesa, mas a partir deste momento, os tipos de vinhos ganharam um novo integrante. Há mais de 300 anos que essa bebida vem sendo consumida. E além de tudo ficou diretamente associada a celebração. Tanto que os próprios produtores de Champagne dizem que não podem ser levados a sérios, pois engarrafam felicidades.

Mas para quem está começando a conhecer esse tipo de bebida, precisam ter algumas informações para fazerem suas escolhas na hora de adquirir um espumante. 

1º) O nome Champagne só pode ser usado para espumantes que são produzidos dentro da região de Champagne na França, respeitando critérios de fabricação que são estabelecidos pelo órgão que regula sua produção. Fora da Champagne, chamamos de espumante (Brasil) Sparkling Wine (Estados Unidos) Sekt (Alemanha) Cava (Espanha) e assim por diante.

2º) Existem alguns métodos de produção de espumantes, mas os dois mais usuais são: o método Champenoise, onde um vinho pronto é colocado dentro da garrafa e nela será provocada a segunda fermentação, assim garrafa por garrafa irá ter a sua nova fermentação, onde o gás carbónico produzido será integrado a bebida. Com este tipo de preparo o espumante irá ganhar mais textura e sua perlage (Borbulhas) será mais intensa, além de se tornar mais cremoso irá adquirir maior complexidade aromática. 

O outro método é chamado de Charmat, nome dado em homenagem ao engenheiro francês Jean Eugène Charmat que o inventou. Desta forma a bebida é produzida em larga escala em grandes autoclaves, agilizando o tempo de produção além de diminuir os custos operacionais, mas geralmente os aromas mais complexos percebidos no método champenoise, não estão presentes nos espumantes feitos pelo método Charmat. 

3º) hoje há uma nova tendência para taças de espumante. Antigamente eram usadas as taças chamadas coupe (aquelas de bojo curto e largo, geralmente vistas nos filmes da década de 20 e 30), depois vieram as taças Flûte (formato de flauta) que até hoje são as mais usuais. E agora a tendência é a utilização de taças Tulipa (foto do texto) para espumantes com o intuito de melhor aproveitar os aromas e sabores.

Mas dicas a parte, o melhor mesmo é comprar um bom espumante, reunir as pessoas que lhe agradam e celebrar momentos de descontração. Esta é a maior função do espumante: celebrar a vida e os bons momentos.

Um brinde aos espumantes por tirarem a tranquilidade do vinho. 

William Máximo.
Sommelier Enoteca Decanter Londrina.
Especialista em vinhos pela WSET.

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